Professora Yi Ling, de Singapura, compartilha seu trabalho sobre Covid-19 com estudantes do IQ

No dia 07 de outubro, o IQUSP recebeu a visita da pesquisadora Xing Yi Ling, editora-chefe da American Chemical Society (ACS) Applied Materials and Interfaces e professora de Química na Nanyang Technological University. Durante a palestra, a profissional apresentou a pesquisa de seu grupo – que testa a presença de Covid-19 em pessoas por meio de sua respiração, com o resultado negativo ou positivo. Além disso, ela compartilhou como funciona o processo de publicação de trabalhos científicos na ACS.
 
Os trabalhos de Yi Ling têm como base a Espectroscopia Raman Amplificada por Superfície (SERS). Esta é uma técnica que amplia a dispersão Raman – fenômeno em que a luz tem sua energia alterada ao interagir com um material, gerando mudança de cor – por meio de nanopartículas metálicas. Com este método, é possível detectar os compostos presentes no material analisado, sendo útil para o diagnóstico de doenças.
 
A docente destaca, no entanto, que uma dificuldade da técnica é a sua sensibilidade para analisar alguns compostos, caso o analito não se aproxime da superfície. “Portanto, nós usamos algum método físico ou químico para trazer e puxar o analito próximo à superfície, de modo a melhorar a sensibilidade e aumentar a seletividade química.” No caso do estudo sobre a Covid-19, o grupo utilizou receptores moleculares para detectar pessoas infectadas e diferenciá-las da população saudável.
 
Yi Ling pontua que, como um receptor pode não fornecer um espectro forte ou único do analito, eles utilizaram múltiplos receptores. “Múltiplos receptores vão interagir com o analito e, então, você pode combinar e interagir com diferentes grupos funcionais e induzir mudanças para esse receptor.” Esse é um modo de garantir uma identificação mais precisa do material trabalhado, por construir dados redundantes.
 
Pesquisa em prática
 
Yi Ling incentiva estudantes a submeter suas pesquisas para a ACS
[Imagem: Comunicação IQUSP]
 
Yi Ling comenta que a escolha de usar a respiração como meio de detecção da doença se deve ao fato de ela ser “mais limpa e conter muitos compostos orgânicos voláteis (VOCs, do inglês Volatile Organic Compounds)”. Durante a pesquisa, o grupo descobriu que os compostos presentes na Covid-19 são diferentes daqueles de outras doenças, como pneumonia e gripe. 
 
Para analisar se a pessoa está infectada ou não, ela precisa apenas liberar sua respiração em uma câmara descartável, criada pelos pesquisadores. Após dez segundos, os VOCs são capturados pelo substrato celular – formado por receptores moleculares – presente na câmara. Por fim, o material é escaneado pelo leitor Raman, de modo que os algoritmos conseguem determinar o resultado negativo ou positivo para a Covid-19. “Então, essa é uma técnica não-invasiva e bastante rápida. Nós podemos obter resultados em um minuto”, completa Yi Ling. Além disso, segundo ela, a detecção “não é afetada pelo fato de a pessoa ser ou não fumante, por quando tiveram a última refeição ou se têm outras doenças.”
 
Após a apresentação sobre o estudo, a docente explicou como é o processo de submissão de trabalhos para a ACS. Esse momento abriu espaço para os estudantes compartilharem seus receios e dúvidas – como o tamanho ideal do artigo e a quantidade de pessoas envolvidas no projeto. Alguns ainda desabafaram sobre a dificuldade desse processo, principalmente em relação à necessidade de produzir os materiais em inglês – uma vez que se trata de um idioma e cultura diferentes.
 
Por Ana Santos | Comunicação IQUSP
 
Data de Expiração: 
01/01/2030

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